A ERGONOMIA

A ergonomia dentro do nova concepção do trabalho

As transformações, geradas pela tecnologia, exigem mudanças na estrutura organizacional.

A ergonomia é conceituada por diferentes organismos e estudiosos do assunto. A OMS (Organização Mundial de Saúde), por exemplo, a define como “ciência que visa ao máximo rendimento, reduzindo os riscos do erro humano ao mínimo e, ao mesmo tempo, trata de diminuir a fadiga e eliminar, dentro do possível, os perigos para o trabalhador. Essas funções são realizadas com a ajuda de métodos científicos, tendo em conta, simultaneamente, as possibilidades e as limitações humanas devido à anatomia, fisiologia e psicologia”. Já a OIT (Organização Internacional do Trabalho) diz: “a ergonomia consiste na aplicação das ciências biológicas em conjunto com as ciências de engenharia, para alcançar a adaptação do homem com o seu trabalho, medindo-se os seus efeitos em torno da eficiência e do bem-estar”.

qualidade de vida no trabalho-digitador ergonomicsComo cada vez mais as pessoas exigem qualidade de vida no trabalho e, concomitantemente, as empresas reconhecem que os trabalhadores mais saudáveis e seguros produzem mais e melhor, a ergonomia ganha espaço dentro das organizações e, também, evolui para acompanhar as transformações ocorridas no mundo laboral, geradas, principalmente, pelos recursos tecnológicos, que impõem novas técnicas de produção e pode oferecer soluções ergonômicas, no sentido de que o trabalho seja, de fato, visto e tratado de forma mais humana. Segundo o especialista em ergonomia Marcio Moreira, diretor da Proderg Ergonomia e da Abergo (Associação Brasileira de Ergonomia), essa ciência vem se desenvolvendo rapidamente, sobretudo, em função da produção das normas ISO de ergonomia, entre as quais cita: 11228-1 Levantamento de Cargas; 11228-2 Empurrar e Puxar; 11228-3 Ferramentas de Análise; 10075 Trabalho Mental; e 11226 Trabalho Estático. Além da melhor compreensão da área pelas empresas e projetistas. Mas, por outro lado, se a ergonomia se desenvolve rapidamente, mais depressa a sociedade se transforma. Com isso, problemas aparecem e surge a necessidade de mais estudos da relação humana com os produtos inovadores, modernas tecnologias e sistemas de trabalho. “Certamente, esse tema se revela como um dos mais importantes para o bem-estar humano – tendo em vista as mudanças que impusemos a nós mesmos nos últimos 30 anos, extremamente volumosas – e uma questão de saúde pública”, afirma Moreira.

A relação entre as transformações tecnológicas e o ser humano pode ser catastrófica caso não haja uma correta análise entre os fatores humanos e as novas projetações do trabalho. De acordo com o especialista, os limites psicofísicos humanos não são bem conhecidos por quem elabora os projetos. “Não se trata de culpar, mas de compreender que os engenheiros e projetistas conhecem muito pouco do ser humano, assim como quem conhece o ser humano desconhece a engenharia e os projetos. E é nesse espaço entre as limitações e características humanas e os projetos que se instala a área de trabalho da ergonomia.”

Uma área extremamente complexa, pois faz a abordagem e a integração com a engenharia, a psicologia, a física, a sociologia, a arquitetura, as legislações, entre outras, que, no geral, “conversam” pouco, mas necessitam se aproximar e propor projetos mais produtivos e que, ao mesmo tempo, não causem danos aos usuários e trabalhadores.

Mas, hoje, há conscientização, tanto na esfera empresarial quanto dos trabalhadores, de que, se colocada em prática, ela é uma aliada fundamental para a qualidade de vida dos trabalhadores e, consequentemente, na obtenção de melhor produtividade, saúde e conforto. E isso se deve, na opinião de Sonia, a uma série de fatores, entre os quais os trabalhos pioneiros dos estudiosos, que propagaram o crescimento acentuado de interessados na matéria, a fundação de entidades como a Abergo, em 1983, que criou as certificações para ergonomistas, e outras ações que tornaram a ergonomia mais conhecida. O consultor Alan Rosa, da Ergomais Soluções Ergonômicas, também acredita que a difusão do conhecimento sobre o assunto, a valorização dos ergonomistas dentro das empresas e a percepção dos prejuízos gerados por trabalhadores afastados têm contribuído para uma maior evolução da ciência, que, atualmente, tem levado muito em conta os aspectos cognitivos do colaborador e a estrutura organizacional da empresa. “A interação homem e ambiente de trabalho, hoje, tem um aspecto mais amplo”, declara.

DENISE-DIGITADOR-ERGONOMICSA ergonomia durante muito tempo, de acordo com Denise Francato Chiaradia, diretora de projetos e especialista em ergonomia, da Digitador Ergonomics, atuou na análise e correção das condições inadequadas de trabalho, o que envolvia esforços e custos consideráveis para as empresas, exigindo, assim, correções e substituições de equipamentos e maquinários impróprios para as atividades exercidas, resultando em danos à saúde dos trabalhadores. Mas, atualmente, apesar de ainda apresentar a necessidade das ações corretivas, está mais amadurecida e se utiliza de outros instrumentos de atuação, principalmente na concepção do ambiente de trabalho, atuando de maneira preventiva nos projetos de equipamentos, máquinas e sistemas, proporcionando um ambiente mais seguro e confortável para os trabalhadores.

Tecnologia e ergonomia
Se a ergonomia tem como proposta adaptar os dispositivos tecnológicos às características das pessoas
, bem como de suas atividades com vistas à otimização do conforto, da segurança e da eficácia, seu objetivo é humanizar a tecnologia. E como bem lembra a diretora da Air Micro, a tecnologia é uma aliada do cotidiano humano. Seja tornando a comunicação mais rápida, seja facilitando o trabalho, operando máquinas, computadores, aparelhos domésticos, entre outros. Trabalhos que anteriormente demandavam muito tempo e esforço físico, atualmente, são feitos com programações tecnológicas que facilitam e abreviam o processo. “Todos esses fatores certamente têm algum detalhe que a ergonomia tornou mais suave e rápida a execução. Os detalhes vão desde um simples cabo de um utensílio doméstico até a postura com que o trabalho é executado, pois, se essas evoluções trazem eficiência e praticidade às nossas vidas, em contrapartida não nos livra de uma série de malefícios, e o desafio dos ergonomistas é corrigir ou minimizar esses males”, destaca Sonia.

Para Moreira, a tecnologia necessita da ergonomia, sobretudo, quando se trata dos sistemas que exigem alta performance ou alta produtividade. E as engenharias ainda não se atentaram ao potencial que a ergonomia pode gerar de benefícios aos projetos. De acordo com o especialista, até agora não foi bem estabelecida a função da ergonomia como parte do projeto, mas é bem fácil de entender, porque:

O trabalho precisa ser fácil.
O trabalho precisa ser leve.
O trabalho precisa ser rápido.
O trabalho precisa ter um objetivo.
O trabalho precisa ser prazeroso.

“Quando chegarmos a trabalhos com essas características, as empresas e os trabalhadores ganharão muito”, enfatiza Moreira, que prossegue: “Para as empresas, o mais importante é o tempo. Mas com força, esforço e posturas inadequadas, os trabalhadores entram em fadiga e quando existe fadiga não há velocidade. Portanto, tudo parte de um projeto de trabalho bem elaborado, que tenha como objetivo principal sua fluidez”.

Fonte: Revista Cipa Julho 2015

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