A ergonomia e você
Um passo a passo para garantir a postura correta e o bem estar físico no trabalho

Em continuação à coluna anterior, forneceremos dicas para uma análise ergonômica:
◗ Avaliação de fatores ocultos, tais como: sistema de trabalho, método de trabalho, horas extras e satisfação com o trabalho;
◗ Análise de fatores intervenientes, tais como: risco físicos, químicos e biológicos;
◗ Avaliação de fatores anti-ergonômicos presentes no ambiente de trabalho;
◗ Identificação e correção de fatores do trabalho que podem causar fadiga;
◗ Avaliar o uso de ferramentas adequadas para o trabalho;
◗ Avaliar a relação entre o trabalhador, a máquina e o local de trabalho;
◗ Analisar a quantidade de peças retrabalhadas;
◗ Verificar o projeto e o leiaute dos painéis de controle e verificar se equipamentos de medição fora da direção ou da visão do trabalhador; e
◗ Considerar os efeitos físicos e mentais causados pela ação do barulho, da iluminação e de outros fatores ambientais sobre o trabalhador.

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Sequência útil para uma análise ergonômica:
1 – Identifique o problema;
2 – Descreva a tarefa feita pelo trabalhador;
3 – Descreva os passos, a sequência de ações técnicas executadas pelo trabalhador;
4 – Identifique os possíveis riscos ergonômicos de cada um dos passos da tarefa;
5 – Realize uma análise ergonômica complementar mais profunda, concluindo quanto ao risco ergonômico da tarefa, dentro dos limites do conhecimento técnico sobre o assunto;
6 – Discuta, analise e chegue a um consenso sobre as soluções ergonômicas e
7 – Desenvolva junto a chefia responsável, o respectivo plano de ação.

 

É importante ressaltar que, antes de qualquer análise, seja ela ergonômica ou não, deve-se fazer um plano de ação incluindo as seguintes etapas:
1 – o que fazer;
2 – por que fazer;
3 – quem vai fazer;
4 – quando irá fazer;
5 – onde irá fazer;
6 – como irá fazer; e
7 – quanto vai custar.

Soluções
Existem quatro categorias ou tipos de soluções mais comummente utilizadas para as dificuldades ergonômicas encontradas:
1) Solução simples: pequenas melhorias, tais como: ajuste de cadeiras e mesas,
2) Solução administrativa: rodízios, pausas, treinamentos e seleção de pessoal,
3) Solução clara: quando se olha e se percebe o que tem que ser feito, mas que depende de verba ou pequeno detalhamento e
4) Solução Profunda: quando a melhoria depende de um estudo mais profundo, e de projeto envolvendo outras pessoas e verbas.

Adequação postural
Em pé:
As atividades em pé são a melhor alternativa quando o posto de trabalho não tem espaço para acomodar as pernas do trabalhador e quando há necessidade de manusear objeto a de peso maior que 3 kg. Também é indicada quando se tem que fazer esforço para baixo para empacotar ou usar pá, quando há necessidade de se deslocar para frente e para os lados simultaneamente, como nos serviços de pintura, e quando há movimentação frequente entre os postos de trabalho. Essa posição apresenta como inconveniente a fadiga dos músculos da panturrilha e o risco de aparecimento de varizes.

Sentado:
Trabalhar sentado traz conforto, porém, pode ocasionar problemas na coluna vertical. A posição é indicada nos serviços de escrita ou digitação, quando não se manuseia pesos excessivos, quando o trabalho não envolve a necessidade de se desencostar ou de se movimentar o tronco e quando a tarefa exige montagem com movimentos finos frequentes.
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Alternada:
A postura alternada (em pé – sentado) é a melhor que existe, pois preserva a movimentação periódica do corpo, evita a fadiga da posição de pé e também as dores lombares.

Semissentada:
A postura semi-sentada é indicada quando se quer evitar a fadiga gerada por trabalhar em pé um grande número de horas ou quando é necessária a agilidade dos serviços. Essa posição evita a fadiga nos músculos da panturrilha, pois muda-se o eixo de apoio dos membros inferiores, passando o apoio a ser distribuído entre os membros inferiores e as nádegas.

Cócoras:
A posição de cócoras é indicada a depender do tempo, peso e da movimentação requerida, quando o indivíduo tem que tocar no nível do chão, com as mãos, permanecendo por muito tempo naquela posição, no mesmo local. Esta posição favorece o equilíbrio e o alongamento dos músculos do dorso, diminuindo a incidência de dores lombares e dorsais. A grande contraindicação está em se movimentar nesta postura, o que pode acarretar ruptura dos ligamentos colaterais do joelho.

Braços:
As posturas inadequadas dos ombros superiores, com o braço fletido ou abduzido causará tendinite de ombro. Já o antebraço fletido sobre o braço e membro superior elevado em posição estática trará tendência a tendinite

Carregando peso:
Também é importante mencionar que, durante o transporte de cargas, é necessário limitar o peso ao máximo de 23 kg (para carregar) e 18 kg (para levantar do chão). Levar em consideração a frequência e a distância a ser percorrida, procurando aproximar a carga do corpo, ou o corpo à carga. Não fletir e torcer o corpo simultaneamente enquanto pegar a carga.

Conclusão
Os DORTs (Distúrbios Osteomusculares Relacionadas ao trabalho – e as LERs (Lesões por Esforços Repetitivos) podem ser evitados por meio da redução da força empregada na execução da tarefa, revezamentos, enriquecimento dos ciclos, ajustes no posto de trabalho, de forma a melhorar a postura; seleção médica e controle do número de movimentos. Em caso de acidente ou doença, o trabalhador deve retornar o mais rápido possível a suas atividades. Dependendo do caso, deve ser readaptado para outro tipo de serviço, para se evitar a repetição da lesão/acidente. Deve-se também acompanhar de perto do trabalhador e ficar atento às suas condições psicológicas.

Fonte: Revista Cipa Agosto 2015

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