A ergonomia e você

A ERGONOMIA E VOÇÊ

Ergonomia é o conjunto de ciências voltadas para adequar o trabalho ao homem, visando sua saúde, seu bem estar, conforto e segurança.
A meta da ergonomia é fazer com que o trabalhador apresente, no final do dia, apenas um nível de fadiga comum a sua atividade e a duração de sua jornada de trabalho.
As principais dificuldades encontradas para a implantação de um projeto ergonômico são: desvio de função; falta de uma base de educação geral, com cursos de especialização; falta de uma política de segurança bem definida na empresa; falta de acompanhamento dos avanço tecnológicos dos equipamentos. A ergonomia moderna procura associar conforto a produtividade, para a que o ambiente seja satisfatório tanto para a empresa como para o trabalhador. A ergonomia é atendida quando se consegue planejar um posto de trabalho que atenda a, pelo menos, 90% da população, independente de sexo, idade, força física e altura. Deve-se procurar analisar de preferência o trabalhador mais envolvido naquela atividade e ouvir também o trabalhador mais exposto. As ideias de melhorias devem ser apresentadas ao grupo, para que sejam criticadas e discutidas.

Análise ergonômica
Em geral, uma análise ergonômica visa a prevenção da fadiga, oferecendo conforto físico e psíquico ao trabalhador; a prevenção de
problemas musculares, evitando-se assim lesões e traumas; e o aumento de produtividade. Existem dois tipos de análise ergonômica: a corretiva é aplicada a uma concepção errada e que precisa ser corrigida; e a conceptiva é a que estuda e planeja o posto de trabalho ideal, observando as aplicações da antropometria.
Os critérios mais importantes para uma análise ergonômica são: fisiológico – que determina se o esforço e o nível de cansaço o trabalhador está dentro do normal; biomecânico – que determina se o trabalhador está posicionado da melhor maneira possível para a realização a tarefa; epidemiológico – que determina o número de lesões; psicofisiológico – que determina o nível de conhecimento e adapta- ção do trabalhador às mudanças; e produtividade.
Quando nos deparamos com um problema de ergonomia, devemos:
1) analisar detalhadamente o ambiente e o posto de trabalho;
2) pesquisar sobre possíveis melhorias e ajustes;
3) criar um modelo que se adeque às melhorias;
4) testar a solução proposta,ouvindo sempre a opinião dos trabalhadores;
5) verificar se os cinco critérios da análise ergonômica estão sendo atingidos; e
6) estando tudo em conformidade, colocar o modelo em prática com segurança e flexibilidade.

Sequência útil para uma análise ergonômica:
1 – Identifique o problema;
2 – Descreva a tarefa feita pelo trabalhador;
3 – Descreva os passos, a sequência de ações técnicas executadas pelo trabalhador;
4 – Identifique os possíveis riscos ergonômicos de cada um dos passos da tarefa;
5 – Realize uma análise ergonômica complementar mais profunda, concluindo quanto ao risco ergonômico da tarefa, dentro dos limites do conhecimento técnico sobre o assunto;
6 – Discuta, analise e chegue a um consenso sobre as soluções ergonômicas e
7 – Desenvolva junto a chefia responsável o respectivo plano de ação.

Recomendações para uma análise ergonômica: avaliação de fatores ocultos, tais como sistema de trabalho, método de trabalho, horas extras e satisfação com o trabalho; análise de fatores intervenientes, tais como risco físicos, químicos e biológicos;
avaliação de fatores antiergonômicos presentes no ambiente de trabalho; identificação e correção de fatores do trabalho que podem causar fadiga; uso de ferramentas adequadas para o trabalho; relação entre o trabalhador, a máquina e o local de trabalho; relação de peças sendo retrabalhadas; projeto e leiaute dos painéis de controle e dos equipamentos de medição fora da direção ou visão do trabalhador; e avaliação dos efeitos físicos e mentais causados pela ação do barulho, da iluminação e de outros fatores ambientais sobre o trabalhador.

Antropometria
Os trabalhadores apresentam diferentes dimensões, de tal forma que a altura ideal de um posto de trabalho não pode ser a mesma para todos.
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As seguintes recomendações relacionadas à antropometria devem ser adotadas: o mobiliário deve possuir regulagem de largura, altura e profundidade; na impossibilidade de regulagem, existem três padrões a serem adotados (pequeno, médio e grande). Na dúvida entre colocar um componente em um lugar mais alto ou mais baixo, deve-se instalar no lugar mais alto. Na medida do possível, o corpo do trabalhador deve ficar na vertical; os braços devem estar na vertical e os antebraços na horizontal, com apoio para os antebraços e punhos.
Não deve existir compressão de qualquer parte do corpo humano pelo mobiliário de trabalho. No caso do trabalho sentado, deve-se estar encostado na cadeira sem precisar atingir o objeto de trabalho. O tronco não deve encurvar-se rotineiramente e os pés devem estar apoiados, por inteiro, em uma superfície. Todos os objetos de uso frequente devem estar, no máximo, dentro da área de alcance normal, ou seja, no semicírculo descrito pelos antebraços na horizontal, estando os braços na vertical. Todos os objetos de uso ocasional devem estar, no máximo, dentro da área de alcance definido como aquela em que os antebraços e os braços estejam na horizontal, nunca acima do nível dos ombros, pois o trabalho com os braços acima dos ombros pode causar lesões.
Em trabalhos fisicamente pesados, a bancada ou plano de trabalho deve estar na altura da cintura do trabalhador; já em trabalhos moderados, a bancada ou plano de trabalho deve estar à altura dos cotovelos, estando os braços na vertical. Os trabalhos de precisão visual devem estar a 30 cm dos olhos e os trabalhos de escrita devem estar na altura da região epigástrica, caso a mesma tenha bordas arredondadas, ou na altura do cotovelo, caso se trate de uma mesa normal.
Na próxima coluna, apresentarei as soluções ergonômicas mais comuns e algumas dicas úteis.

Jaques Sherique
Engenheiro mecânico e de segurança do trabalho.
Presidente da Academia Brasileira de
Engenharia de Segurança do Trabalho, sócio diretor da empresa Sherique Consultoria

Fonte: Revista Cipa Agosto 2015

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