Ritmo de vida moderna e descuido com a postura são gatilhos para esses problemas que podem afastar profissionais do trabalho.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as dores na coluna são a terceira causa de aposentadoria e a segunda de licença no trabalho no Brasil. Já a Pesquisa Nacional da Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE, revelou que 27 milhões de adultos no País são acometidos por doença crônica na coluna, o que corresponde a 18,5% da população adulta brasileira. Os problemas lombares são os mais comuns, com prevalência maior em 21% das mulheres contra 15% dos homens. O levantamento mostra que a doença
crônica de coluna atinge 8,7% dos jovens de 18 a 29 anos e 26,6% das pessoas acima de 60 anos. Um dos destaques está no fato de que 53,6% das pessoas garantiram fazer tratamento e 40% desse grupo usa medicamentos ou injeções, enquanto 18,9% praticam algum tipo de exercício físico ou fazem fisioterapia. O resultado indicou ainda que a prevalência foi menor na área urbana do que na rural, com percentuais de 18% e 21,3%, respectivamente.
dornascostas-ergonomics-digitadorA região Sul foi identificada como a que possui os maiores índices de problemas de coluna, com 23,3% da população. É difícil encontrar alguém que possa afirmar que nunca, em algum momento de sua vida, já sofreu alguma dor nas costas. Nunca se sofreu tanto com problemas na coluna vertebral em todo o mundo, e segundo a OMS
(Organização Mundial da Saúde), cerca de 80% da população mundial sofre, já sofreu ou ainda vai sofrer de dores
na coluna.
De acordo com o ortopedista Wilson Dratcu, o estilo de vida moderno pode ser um gatilho para doenças da coluna.
“Um dia você sente uma dorzinha nas costas e não dá muita importância. Depois de um tempo – que muitas vezes nem é tão longo assim – ela volta. Os dias passam e a vida continua. A correria do dia a dia te impede de ir ao médico verificar o motivo da dor. Deve ser má postura, você pensa. Até que o incômodo se torna constante. Sem notar, você desenvolve um problema de coluna”, informa o ortopedista.
A partir daí está dada a largada para uma das maiores causas de afastamento do trabalho, segundo o IBGE.
As dores na coluna não atingem somente idosos, jovens também sofrem com o problema. Longas horas na frente do computador ou teclando no celular, falta de atividades físicas, obesidade, descuido
no jeito de sentar na cadeira, no sofá, de abaixar para pegar coisas, de dormir. Tudo isso junto é uma agressão à coluna. Mas afinal de contas o que é pior: a falta de movimento ou a postura incorreta? “As duas situações”, explica o médico, que complementa: “O sedentarismo, consequência da vida urbana moderna interfere no metabolismo do disco invertebral, que precisa de movimento para manter o equilíbrio vital das células. Já no caso da postura
incorreta o que ocorre é uma sobrecarga das estruturas vertebrais, o que provoca dores, e ao longo do tempo determina retrações musculares e posturas viciosas”.
Em longo prazo, o descuido pode ser decisivo no futuro do jovem trabalhador. “Além de facilitar o aparecimento de deformidades pela sobrecarga que causa nas estruturas vertebrais, os vícios posturais podem antecipar lesões discais e até artrose da coluna num prazo mais distante”, afirma Wilson Dratcu.
Aquela dor no pescoço, considerada sutil, por exemplo, pode indicar problemas na coluna. Mas também pode ser apenas uma tensão, um sinal de distúrbios na tireoide, na ATM (que liga o maxilar ao crânio), entre outros.
Segundo o especialista, homens e mulheres podem apresentar problemas diferentes. “No caso dos homens, é mais comum que eles exercitem atividades braçais e desenvolvam problemas como hérnia de disco; já as mulheres, por sua maior longevidade e pelos esforços feitos nas atividades domésticas, podem desenvolver dores relacionadas
ao envelhecimento, como a osteoporose”.

Mulheres, desçam do salto!
A origem é controversa, mas a fama é conhecida. Amplamente utilizado por Luís XIV, no século 17, o salto alto difundiu-se e tornou-se amigo número 1 das mulheres. No entanto, o uso constante desse tipo de sapato pode ter uma consequência nada agradável: a dor nas costas. Juntamente com a má postura e o sedentarismo, o salto alto compõe a tríade de vilões da coluna.
Muitas vezes aquela dor localizada, depois de horas com o calçado, é o primeiro aviso de que algo não vai bem. “É muito comum recebermos mulheres com dores nas costas, após uma festa na qual elas usaram saltos altos”, afirma o ortopedista Pil Sun Choi, coordenador do Grupo de Cirurgia de Coluna Minimamente Invasiva do Hospital S. José da Beneficência Portuguesa de São Paulo. O médico explica que há uma frequência e tipo de salto menos prejudicial à coluna da mulher, principalmente as que precisam usar o calçado mais social para trabalhar. “No dia a dia, o ideal é três a cinco centímetros. Saltos maiores devem ser reservados aos eventos e, mesmo assim, a mulher deve estar preparada para ter dores nas costas e nos pés”, garante Pil Sun Choi. A dor ocorre por que os saltos altos deslocam o centro de gravidade para frente, causando um desequilíbrio. Para compensar a desproporção, as mulheres tendem a naturalmente sobrecarregar as estruturas das vértebras, causando lordose lombar, uma curvatura
excessiva da coluna para dentro. No entanto, quem quer fugir do problema usando sandálias rasteirinhas, deve pensar duas vezes: elas também podem fazer mal, justamente por deixar os pés muito à vontade. A falta de apoio pode gerar lesões por sobrecarregar
outras partes do corpo. “Para evitar problemas mais sérios de coluna o recomendado é usar calçados que tenham plataformas, pois o importante é a diferença entre a parte anterior e posterior do pé”, orienta o ortopedista
Pil Sun Choi.
Tratamento
O ideal é sempre investigar as causas das dores, e para o médico ortopedista Wilson Dratcu, o diagnóstico pode
ser difícil. “Nem toda dor lombar ou cervical é consequência de problemas na coluna”, diz. Segundo ele, problemas
abdominais como cálculo renal ou na vesícula e até dores ginecológicas podem provocar dores na região. “Por
isso uma avaliação médica tem que compreender a investigação da história das dores e um bom exame clínico,
complementado pelos exames de imagens, quando necessário”, detalha.
Além de difíceis de diagnosticar, tais dores podem ser complicadas de tratar por vários motivos: muitas vezes geram
ansiedade e expectativas no paciente – o que dificulta o tratamento – e podem exigir afastamento do trabalho e repouso, algumas vezes, por períodos longos. “Além disso, nem todos os pacientes podem tomar qualquer medicamento”, elucida Dratcu.
A mudança dos hábitos diários também é importante, uma vez que erros de postura podem aumentar o desgaste das estruturas da coluna, provocando problemas mais sérios. É importante também que quem sofre de dores na coluna pratique exercícios físicos (conforme suas limitações, indicadas por um especialista médico);alongue os músculos ao fazer uma mesma atividade por muito tempo, e corrija a má postura, antes que ela vire um vício.

Fonte: Revista Cipa

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