Eletromiografia de superfície

Eletromiografia de superfície: o padrão ouro em pesquisas de esforços musculares

Hudson de Araujo CoutoTodo profissional de Ergonomia tem dúvidas sobre a intensidade de determinado esforço físico feito pelo trabalhador. Seria um esforço excessivo? Ou estaria no limite tolerável? Essa dúvida pode se tornar ainda mais importante quando envolve a definição de risco ergonômico no trabalho. É aí que entra a técnica da eletromiografia de superfície.
Todos os nossos músculos e células têm uma diferença de potencial da ordem de 80 milivolts, com acúmulo de carga positiva no lado externo e acúmulo de carga negativa no lado interno da membrana celular. Esse estado é denominado potencial de membrana. Quando ocorre uma ordem do cérebro para a realização de uma contração muscular, o estímulo percorre o nervo e libera no músculo uma substância denominada acetilcolina, que aumenta a permeabilidade da membrana celular ao íon sódio. Nesse ponto, certa quantidade de sódio entra para a célula, provocando uma inversão
do potencial elétrico.
Por alguns milissegundos, o interior da célula passa a ter um predomínio de cargas positivas. O íon cálcio é movido
até junto dos filamentos contráteis do músculo, promovendo a contração muscular. No instante seguinte, a membrana
retoma seu potencial original, ficando preparada para outra contração.
A eletromiografia de superfície (EMG de superfície) é a técnica que possibilita captar, na pele do trabalhador, esses potenciais que representam a atividade muscular. Ela representa o padrão ouro na análise da função muscular, porque existe uma relação direta entre a força que o trabalhador executa na atividade e a intensidade do potencial elétrico registrado na pele.
doutor hudson araujo couto-Eletromiografia de superfícieMÚSCULOS
Em Ergonomia, nada menos que 14 grupamentos musculares podem ser pesquisados por essa técnica. Relacionamos
a seguir os principais:
Músculos envolvidos na preensão de objetos pelas mãos, especialmente o extensor radial do carpo – trata-se da utilização mais frequente, em que é possível definir com precisão a intensidade do esforço realizado e comparar com a força máxima do trabalhador;
Músculo oponente do polegar – permite avaliar o esforço de pinça pulpar;
Músculo bíceps braquial – avalia tanto os esforços de flexão do antebraço sobre o braço quanto os de sustentação de alguma carga estando a palma das mãos para cima;
Músculo tríceps braquial – permite avaliar o esforço em atividades de levantar ou pegar carga acima do nível dos ombros;
Músculo deltoide (fibras médias) – avalia o esforço em que há abdução dos ombros (“asas abertas”). Também avalia, de forma indireta, o esforço sobre o músculo supraespinhoso quando a abdução é maior que 60 graus;
Músculo deltoide (fibras anteriores) – avalia o esforço sobre os ombros, especialmente considerando a distância dos objetos e as áreas de alcance;
Músculo paravertebral – seu monitoramento fornece um espelho fidedigno de qual é o esforço envolvido no levantamento e manuseio de cargas. Fornece, indiretamente, a força de compressão sobre os discos da coluna vertebral, uma vez que a força dos músculos paravertebrais é o principal componente da força de compressão
nos discos. Também dá uma visão clara da intensidade da contração estática dos músculos das costas, causa importante de dor lombar em posicionamentos estáticos prolongados com o corpo fora do eixo vertical;
Trapézio (fibras superiores) – permite acompanhar o esforço necessário para a sustentação da cabeça- importante em postos de trabalho com computador e em linhas de produção com trabalho de precisão.
EQUIPAMENTOS
Atualmente o equipamento de EMG de superfície está bem sofisticado e podem ser encontrados dispositivos que
permitem o acompanhamento de muitos músculos ao mesmo tempo. Também já há modelos que utilizam tecnologia bluetooth
ou equivalente, eliminando os fios entre o notebook, usado para a coleta de dados, e o trabalhador. O que proporciona maior conforto para fazer as medidas.
As melhores indicações da eletromiografia de superfície são: avaliação da força manual de determinada tarefa
– comparando com a força máxima e assim possibilitando definir quanto à existência ou não de risco ergonômico;
avaliação de fatores relacionados a picos de esforço físico, em experiências relacionadas ao método de trabalho,
por exemplo, verificação de material diferente resulta em forças diferentes; avaliação quantitativa de melhorias que visem à redução da força na tarefa; avaliação da participação de grupamentos musculares em determinados esforços – muito útil em perícias; estudo da eficácia do rodízio; avaliação de mudanças posturais – especialmente no trabalho com computador (foto), o que permite passar uma orientação segura ao trabalhador sobre como melhorar sua postura; e avaliação de mobiliário de escritório e guichês de atendimento.

Referência:
REVISTA PROTEÇÃO,
Edição Julho 2015

http://www.protecao.com.br/
(Doutor Hudson de Araújo Couto)

Um Comentário em “Eletromiografia de superfície: o padrão ouro em pesquisas de esforços musculares

  1. O eletromiógrafo de superfície é um recurso importante para o confronto dos resultados nas análises ergonômicas, principalmente para as atividades que foram analisadas e constatadas que poderão gerar riscos ao trabalhador. Reconhecido na comunidade médica e cientifica tornando os resultados mais seguros para o analista e para o empregador.
    O importante é ser aplicado por profissionais competentes da área de saúde que saibam interpretar e analisar quais músculos estudar para um resultado correto.
    Denise M.Francato Chiaradia
    Especialista em Ergonomia
    Ergonomista Senior certificada ABERGO

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.