Segurança e saúde em escritórios

Segurança e saúde em escritórios

LER e distúrbios da coluna são os problemas mais comuns entre os trabalhadores. Acidentes e doenças ocupacionais são normalmente associados a linhas de produção, indústria da construção civil, atividades com eletricidade e em altura ou, ainda, a tarefas executadas
em ambientes inóspitos. No entanto, boa parte dos afastamentos médicos de trabalhadores decorrem da exposição a riscos em ambientes aparentemente inofensivos, como os escritórios. Embora não haja estatísticas específicas sobre acidentes e doenças ocupacionais nesses ambientes, o professor de fisioterapia e especialista em ergonomia e saúde do trabalhador Paulo Cesar Porto Deliberato explica que é
possível fazer uma estimativa utilizando-se a subseção C do AEAT (Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho), elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e o da Previdência Social: “Alguns dos distúrbios com maior incidência de afastamentos possuem nexo causal com as atividades desenvolvidas na área administrativa. Exemplos: CID M54 (Dorsalgia), que aparece no AEAT 2012como a terceira causa de afastamentos, com 35.414 casos dentre o total de 705.239 registros; o CID M75 (Lesão de ombro), que aparece em oitavo
lugar, com 19.642 casos; e o CID M65 (Sinovite e Tenossinovite), que aparece em 12o lugar, com 13.188 casos.”

DOR-LER riscos mais comuns-digitador-ergonomicsDesde os anos 1700 já se conhecia, por exemplo, a “doença dos escribas e notários”, como descrita na obra De Morbis Artificum Diatriba (Doenças do Trabalho), do italiano Bernardino Ramazzini, considerado o pai da medicina do trabalho. No Brasil, foi nomeada LER
(Lesão por Esforço Repetitivo), mas só em 1987, ao ser reconhecida como doença do trabalho pela Portaria no 4.062 do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). Além dos movimentos repetitivos, pancadas, má postura, quedas etc. estão entre os eventos aos quais muitas vezes não se dá a devida atenção, mas que podem gerar não apenas traumas passageiros, mas lesões duradouras e, algumas vezes, incapacitantes. Segundo Deliberato, muitas dessas situações decorrem da organização e da gestão das situações típicas de trabalho desses ambientes. Entre as mais comuns estão pancadas das pernas e/ou cotovelos contra o mobiliário, ocasionado contusões; desequilíbrios e quedas geradas por pisos escorregadios ou por objetos livres no chão, podendo ocasionar entorses de tornozelo e joelho ou, até mesmo, traumas na face e cabeça. Já as doenças mais frequentes em áreas administrativas, de acordo com Deliberato, são as tendinopatias dos membros superiores, as mialgias cervicais e os distúrbios da coluna vertebral.

Responsabilidades e normas
De acordo com Deliberato, dependendo do enquadramento da empresa no CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), poderá haver
até mesmo vários profissionais atuando conjuntamente como responsáveis pela preservação das condições adequadas de trabalho em áreas administrativas: “São eles os profissionais da Medicina do Trabalho, da Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacional e, em alguns
casos, os profissionais da área de Saúde do Trabalhador. Isso é garantido pelas Normas Regulamentadoras (NRs) do Ministério do Trabalho e Emprego.”
Deliberato elenca, ainda, as normas regulamentadoras mais diretamente relacionadas ao trabalho em áreas administrativas:
NR 4 – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho – SESMT;
NR 5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA;
NR 7 – Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional – PCMSO;
NR 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA;
NR 17- Ergonomia;
NR 24 – Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais do Trabalho; e
NR 26 – Sinalização de Segurança.

Cuidados e dicas
Para evitar acidentes e doenças em ambientes administrativos, Deliberato explica que é imprescindível, em primeiro lugar, avaliar os riscos aos quais os trabalhadores estão sujeitos e o cuidado mais básico a ser tomado. “Na prática, avaliar o risco significa identificá-lo e quantificar a sua magnitude para, subsequentemente, definir se o risco é ou não tolerável a uma atividade laboral
em particular”, explica. Para Deliberato, a avaliação do risco envolve duas etapas: “a avaliação qualitativa, também conhecida como avaliação preliminar, e a avaliação quantitativa, que é aquela que efetivamente mede, compara e estabelece medidas de controle e, se possível, de eliminação dos riscos identificados.” Mesmo apos a avaliação e tratamento dos riscos, é importante que o trabalhador
e seus superiores continuem alertas, promovendo e praticando atitudes seguras, algumas das quais elencadas por Deliberato:
Criar o hábito de “escutar” o corpo e atendê-lo sempre que necessário.
Exemplo: levantar-se e caminhar durante alguns minutos, evitando ficar sentado durante todo o tempo em que estiver no escritório;
Promover o enriquecimento das atividades laborais, evitando tanto a monotonia como a repetitividade das tarefas;
Planejar a utilização do espaço de trabalho, organizando-o adequadamente e dotando-o de equipamentos e acessórios que promovam o conforto e o descanso do corpo (apoio para os pés; utilização de cadeiras com ajustes ergonômicos…);
Praticar exercícios de relaxamento regularmente, pois eles diminuem as tensões musculares, a ansiedade, a irritação e a raiva e melhoram a disposição, a vitalidade e os níveis de atenção, concentração e memória;
Praticar exercícios respiratórios regularmente, pois eles melhoram a percepção corporal e a conscientização respiratória, promovem o equilíbrio dos sistemas imunológico e neuroendócrino e melhoram a amplitude respiratória, ao mesmo tempo em que diminuem
a frequência, reduzindo também o dispêndio energético do corpo durante a jornada de trabalho;
Alongar-se regularmente, pois o alongamento mantém níveis adequados das amplitudes de movimentos corporais e a elasticidade dos tecidos moles e diminui o risco de aparecimento de contraturas musculares, além de promover o relaxamento;
Orientar as pessoas quanto à manutenção de posturas corporais apropriadas;
– Orientar as pessoas quanto à manutenção de padrões respiratórios adequados durante a jornada de trabalho;
– Orientar as pessoas quanto à importância de se ter um hobby e praticá-lo regularmente;
Estimular a prática de atividades esportivas e lúdicas;
– Orientar as pessoas quanto aos benefícios da hidratação corporal adequada, instalando bebedouros em áreas anexas aos postos de trabalho;
– Orientar as pessoas quanto aos benefícios da manutenção de dietas saudáveis e balanceadas, evitando-se o consumo exagerado de álcool, frituras, chocolate, sal e outros alimentos prejudiciais; e
– Orientar as pessoas a procurarem o serviço médico da empresa ao menor sinal de que algo não vai bem.

FONTE: REVISTA CIPA EDIÇÃO AGOSTO

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